sábado, 12 de setembro de 2026

MPAM recomenda suspensão por 30 dias da troca de fiação elétrica pela Âmbar em Manaus


Ministério Público cobra laudos sobre segurança dos cabos de alumínio após relatos de curtos-circuitos, oscilações e interrupções; concessionária tem três dias para informar se cumprirá recomendação

O Ministério Público do Amazonas (MPAM) recomendou, nesta sexta-feira (11), que a Âmbar Energia suspenda, pelo prazo de 30 dias, a substituição da fiação da rede de distribuição de energia elétrica em Manaus.

A medida ocorre após o órgão receber reclamações e registros de problemas que teriam surgido depois da troca dos cabos, incluindo curtos-circuitos, oscilações de tensão e interrupções no fornecimento de energia.

A recomendação foi expedida pelas 51ª e 81ª Promotorias de Justiça Especializadas na Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor (Prodecon), dois dias após a instauração de um inquérito civil para investigar a substituição da fiação.

O MPAM pretende avaliar se os cabos de alumínio utilizados pela concessionária são tecnicamente adequados às condições climáticas de Manaus e se cumprem as normas de segurança exigidas.

“A manutenção ininterrupta de substituições de fiação, sem a devida comprovação pericial prévia quanto à segurança e adequação dos materiais, expõe a população a riscos iminentes de incêndios elétricos e danos patrimoniais acumulados”, afirmou a promotora de Justiça Sheyla Andrade dos Santos.

MPAM cobra laudos e testes dos cabos

Entre as exigências apresentadas pelo Ministério Público está a entrega de documentos capazes de comprovar a segurança, durabilidade e adequação técnica dos fios de alumínio utilizados na rede elétrica diante do clima equatorial e das altas temperaturas registradas no Amazonas.

A Âmbar deverá apresentar laudos técnicos, testes de conformidade e certificados emitidos por órgãos oficiais ou laboratórios credenciados, incluindo documentação relacionada ao Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

Os documentos também deverão demonstrar o cumprimento das normas técnicas estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

O prazo estabelecido para apresentação dessas informações é de dez dias úteis.

Ministério Público quer comparar ocorrências antes e depois da troca

Além dos laudos, a concessionária deverá entregar um levantamento detalhado dos locais onde a substituição da fiação já foi realizada, com as respectivas datas das intervenções.

O relatório deverá permitir a comparação das ocorrências registradas antes e depois da troca dos cabos, incluindo incêndios, falhas na rede, oscilações de tensão e chamados técnicos.

O MPAM também solicitou os registros de reclamações apresentadas pelos consumidores das áreas onde a nova fiação foi instalada, especialmente aquelas relacionadas a superaquecimento, curtos-circuitos, oscilações de energia e incêndios.

Outro ponto que deverá ser analisado é o consumo de energia faturado nas unidades consumidoras atendidas pelos trechos onde ocorreu a substituição. A comparação deverá considerar os seis meses anteriores à intervenção e o período posterior à troca dos cabos.

Plano emergencial

A recomendação determina ainda que a Âmbar apresente um plano emergencial de prevenção e atendimento para eventuais ocorrências relacionadas à nova fiação.

O documento deverá contemplar situações como superaquecimento, oscilação de tensão, curtos-circuitos e incêndios.

O Ministério Público também recomendou que a concessionária não realize alterações estruturais na rede de distribuição capazes de provocar interrupções no fornecimento sem comunicação prévia aos consumidores afetados.

Segundo o órgão, os avisos deverão ser claros e transparentes, realizados com antecedência razoável e acompanhados de cronograma detalhado dos serviços.

Âmbar tem três dias para responder

A Âmbar Energia terá prazo de três dias para comunicar ao Ministério Público se cumprirá a recomendação de suspensão temporária dos serviços.

Caso a concessionária não acate a medida ou deixe de apresentar resposta fundamentada, o MPAM informou que poderá adotar providências judiciais e extrajudiciais.

Entre as medidas possíveis está o ajuizamento de ação civil pública, inclusive com pedido de tutela de urgência, além da eventual responsabilização civil e administrativa da empresa.

Até a divulgação das informações que deram origem à recomendação, não havia sido apresentada resposta da Âmbar Energia sobre a medida do Ministério Público.

A suspensão recomendada pelo MPAM tem duração de 30 dias e busca permitir a análise técnica da segurança e da adequação dos materiais utilizados antes da continuidade das substituições na rede elétrica de Manaus.



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