
Segundo a estatal, a perfuração e aquisição de dados geológicos foram concluídas
A Petrobras identificou mais um reservatório de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. Com isso, a estatal já contabiliza três descobertas em uma única perfuração em águas ultraprofundas, localizada no bloco FZA-M-59.
De acordo com fontes, a qualidade do óleo é de boa qualidade, assim como nas outras duas descobertas feitas no poço. A análise preliminar, dizem essas fontes, indica um petróleo com grau API entre 35 e 40, ou seja, um óleo de boa qualidade, considerado leve pelos padrões da indústria.
A perfuração e a aquisição de dados geológicos foram concluídas, disse a estatal. O poço tem profundidade total de 7.081 metros, dos quais 2.886 metros correspondem à lâmina d’água, ou seja, a distância entre a superfície da água e o “chão” do mar.
Agora será realizada a finalização das operações no poço, e a sonda seguirá a bacia Potiguar, na costa do Rio Grande do Norte, onde iniciará a perfuração na locação Mãe de Ouro.
Em nota, Magda Chambriard, presidente da Petrobras, disse que a “persistência técnica permitiu que fossem realizadas três descobertas no mesmo poço”.
— Isso nos deixa ainda mais otimistas em relação ao potencial exploratório da Margem Equatorial.
A Bacia da Foz do Amazonas é uma das cinco bacias que integram a Margem Equatorial, região que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e é tida como uma promissora fronteira petrolífera.
Novas perfurações em janeiro
Na Bacia da Foz do Amazonas, a empresa vai perfurar mais três poços no bloco FZA-M-59 com o objetivo de delimitar o tamanho da reserva. Esses poços vão começar a ser perfurados em janeiro de 2027, após a chegada da plataforma de perfuração NS-43, atualmente no campo de Búzios.
Se forem confirmadas as expectativas, dizem as fontes, as amostras da Bacia da Foz do Amazonas terão grau API similar ao encontrado na Guiana. Em outubro, Magda disse que o óleo do poço era “maravilhoso”. “Só talvez não seja melhor que o óleo de Urucu (no Amazonas)”, disse ela na ocasião.
Na indústria petrolífera, quanto maior o grau API, mais leve e valorizado tende a ser o petróleo, uma vez que sua transformação em derivados como gasolina, diesel e querosene de aviação exige menor processamento nas refinarias.
Para efeito de comparação, o petróleo produzido no campo de Tupi, o maior do pré-sal brasileiro e responsável por cerca de um quinto da produção nacional, possui API em torno de 28. Já o óleo do campo de Jubarte, na Bacia de Campos, apresenta aproximadamente 17 API e é classificado como pesado.
Em agosto, ao visitar a operação da Petrobras no Amapá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou atenção para a aparência do óleo e afirmou que o teste seria promissor. “Parece que está refinado já de tão leve. Temos a chance de ter um petróleo muito chique”, disse Lula na ocasião.
O grau API é uma escala utilizada internacionalmente para medir a densidade relativa dos derivados e do petróleo bruto. A lógica é inversa à densidade: quanto maior o número de API, mais leve é o petróleo. Segundo especialistas, óleos mais leves tendem a oferecer maior rendimento na produção de derivados de maior valor e podem ser mais simples de processar em determinadas refinarias.
Novas áreas na Foz
A estatal já iniciou o processo de licenciamento nos blocos 57, 86, 88, 125 e 127 na Bacia da Foz do Amazonas. Todos esses seis blocos foram arrematados na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013.
Em junho do ano passado, a estatal adquiriu ainda 10 blocos na Bacia da Foz do Amazonas no 5º Ciclo de Oferta Permanente, todos em parceria com a Exxon, mas vai operar apenas cinco.
Fonte: Globo.com










