terça-feira, 3 de novembro de 2026

Boulos e Tarcísio divergem sobre aumento do ICMS do diesel: “Lamentável”

São Paulo — O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSol), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), divergiram neste domingo (1º/11) sobre a responsabilidade do aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel. No último dia 27, os governos estaduais aprovaram um reajuste do tributo a partir de 1º de fevereiro de 2027, durante reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).

Em vídeo publicado no Instagram, Boulos afirmou que o reajuste do imposto estadual afetaria não só o preço do combustível para os caminhoneiros, mas também aumentaria o preço dos alimentos nos supermercados, já que o transporte de mercadorias é feito por rodovias.

“Passadas as eleições, as máscaras caem, né? Vocês viram que os bolsonaristas passaram a eleição inteira dizendo: ‘Ah, a esquerda aumenta imposto, a gente quer diminuir imposto’. Olha o que está acontecendo agora com o diesel”, disse Boulos. “Governador Tarcísio, faça a sua parte, ajude o povo brasileiro. Não dá para ter um discurso na eleição e a prática é ser outra, né Tarcísio?”

Após a publicação, o Palácio dos Bandeirantes divulgou uma nota em que chamou de “lamentável” a declaração do ministro. “Divergências não justificam distorcer os fatos para atacar adversários”, disse

“O reajuste do ICMS sobre os combustíveis foi definido no âmbito do Confaz, que é um colegiado do Ministério da Fazenda que reúne os 26 estados e o Distrito Federal. A ratificação dos convênios foi aprovada por unanimidade, inclusive pelos estados governados pelo PT. A cobrança sobre os combustíveis segue a mesma regra nacional em São Paulo, no Piauí, no Ceará e na Bahia, por exemplo”, afirmava o texto divulgado pela equipe do governador.


Guilherme Boulos voltou às redes sociais para rebater. “Isso não muda nada em relação à incoerência de Tarcísio com seu discurso de campanha. Passou meses atacando Lula a respeito de impostos. E, três dias depois da eleição, se posicionou a favor do aumento do ICMS no Confaz”, escreveu no X (antigo Twitter).

Veja a nota completa de Tarcísio de Freitas na íntegra:

“É lamentável que um ministro de estado distorça os fatos para fazer ataques políticos. Quem ocupa um cargo dessa importância deveria esclarecer a população, não espalhar desinformação.

O reajuste do ICMS sobre os combustíveis foi definido no âmbito do Confaz, que é um colegiado do Ministério da Fazenda que reúne os 26 estados e o Distrito Federal. A ratificação dos convênios foi aprovada por unanimidade, inclusive pelos estados governados pelo PT. A cobrança sobre os combustíveis segue a mesma regra nacional em São Paulo, no Piauí, no Ceará e na Bahia, por exemplo.

Vale lembrar que, enquanto São Paulo manteve sua alíquota modal de ICMS nos últimos quatro anos, estados governados pelo PT elevaram as suas. No Piauí, a alíquota chegou a 22,5%; na Bahia, a 20,5%; e no Ceará, a 20%.

Em São Paulo, seguimos outro caminho. Mantivemos a alíquota modal em 18%, uma das menores do país, ampliamos isenções de ICMS sobre produtos alimentícios e zeramos o IPVA para motos de até 180 cilindradas.

O debate político exige responsabilidade e respeito à verdade. Divergências não justificam distorcer os fatos para atacar adversários.”

Estados aprovam aumento do ICMS sobre gasolina, diesel e gás em 2027

Os governos estaduais aprovaram um aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre gasolina, diesel e gás de cozinha a partir de 1º de fevereiro de 2027. A decisão foi tomada na terça-feira (27/10), durante reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).

Com a mudança, o imposto cobrado sobre a gasolina passará de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro, um aumento de R$ 0,07, equivalente a 4,5%. No caso do diesel, a alíquota subirá de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro, alta de R$ 0,13, ou 11,1%.

O gás de cozinha também terá reajuste. O ICMS sobre o gás liquefeito de petróleo (GLP) passará de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo, o que representa um acréscimo de R$ 0,91 para um botijão de 13 quilos.

Os novos valores foram estabelecidos pelos convênios ICMS 127/2026 e 128/2026, publicados no Diário Oficial da União (DOU) na quarta (28/10).

Metrópoles 

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