A falta de chuvas prolongada e a seca extrema estão causando impactos severos na agricultura familiar da Colônia Agrícola do Matapi, localizada no município de Porto Grande. Lavouras tradicionais de frutas como abacaxi, laranja, coco e banana enfrentam perdas expressivas, comprometendo a renda de centenas de famílias que dependem exclusivamente da terra para o sustento.
Desde setembro, os produtores locais lidam com um cenário atípico de escassez hídrica, que secou frutos no pé e inviabilizou a comercialização das safras. A situação mobilizou entidades representativas e órgãos governamentais em busca de alternativas emergenciais para socorrer a comunidade afetada pela estiagem.
Impacto drástico na cultura do abacaxi
A principal atividade econômica da região, focada no cultivo do abacaxi, sofreu uma retração alarmante após a consolidação do selo de Indicação Geográfica obtido em 2024. A colheita mensal despencou de cerca de 80 toneladas para menos de 15 toneladas, refletindo uma queda superior a 80% na oferta do fruto.
De acordo com dados da Associação dos Produtores de Abacaxi de Porto Grande, milhões de pés da fruta estão morrendo nas plantações devido à falta de umidade no solo. Compradores da região já começam a sinalizar escassez do produto no mercado regional, evidenciando o reflexo econômico da crise climática.
Prejuízos em larga escala na fruticultura
Outras culturas fundamentais para a economia local também registraram perdas históricas nas propriedades da comunidade agrícola. Produtores relatam que milhares de pés de laranja apodreceram nos galhos sem conseguir atingir o ponto ideal de colheita ou valor comercial.
A produção de coco e banana seguiu a mesma tendência de declínio acentuado. Agricultores locais apontam quedas drásticas no volume semanal retirado dos pomares, inviabilizando o abastecimento regular dos mercados locais e reduzindo drasticamente o faturamento das famílias.
O contraste da irrigação e a busca por apoio
Enquanto a maioria das cerca de 600 famílias da comunidade enfrenta dificuldades extremas, propriedades equipadas com sistemas de irrigação conseguiram preservar o verde das plantações. Um projeto viabilizado junto à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural beneficiou um grupo reduzido de produtores com equipamentos financiados.
Para a maioria dos agricultores, no entanto, o acesso à tecnologia de irrigação permanece inviável sem investimentos públicos diretos. Representantes da comunidade têm se reunido com órgãos como a Defesa Civil Estadual e o Instituto de Extensão de Assistência e Desenvolvimento Rural do Amapá para cobrar medidas concretas, incluindo o fornecimento de cestas básicas e a perfuração de poços artesianos para salvar as próximas safras, conforme detalhado em reportagem do g1.










