sábado, 24 de outubro de 2026

Moraes manda bloquear até R$ 6 bilhões de advogado ligado a Flávio Bolsonaro e determina quebra de sigilo de empresas

Magistrado aponto risco de destruição de provas; em nota, Willer Tomaz afirmou que o valor congelado não corresponde ao seu patrimônio e que as medidas são desproporcionais

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores do advogado Willer Tomaz de Souza, investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis vínculos empresariais com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A decisão também atinge empresas ligadas ao advogado, entre elas a Alcazar Holding, cuja conta bancária teve Flávio cadastrado com poderes de gerenciamento, segundo as investigações. Em nota, Tomaz afirmou que o valor bloqueado não corresponde ao seu patrimônio e que as medidas são desproporcionais.

Além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial, Moraes determinou o sequestro, o bloqueio e a indisponibilidade de bens móveis e imóveis do advogado e de suas empresas, incluindo aeronaves e embarcações, até o limite de R$ 6 bilhões.

O ministro também ordenou o cancelamento dos passaportes do investigado, inclusive um diplomático, e a suspensão das atividades econômicas, financeiras e empresariais de todas as companhias vinculadas a ele.

As medidas foram determinadas após a identificação de que Willer deixou o Brasil em 21 de agosto deste ano, com destino a Miami, nos Estados Unidos, sem registro de retorno ao país. Para os investigadores, a permanência do advogado no exterior aumenta o risco de destruição de provas, especialmente de documentos e informações relacionados a fundos e empresas constituídos fora do Brasil.

Entre as empresas atingidas pelas medidas estão a Alcazar Brasil Ltda., a Alcazar Holdings Unipessoal, a Alcazar Global Holdings e a Cathedral Holdings

Moraes também determinou que bancos e instituições financeiras encaminhem, no prazo de 24 horas, informações sobre as contas bancárias das empresas vinculadas ao advogado, incluindo a identificação de antigos e atuais cotitulares.

A ordem abrange especialmente as contas da Alcazar Holding Ltda., Alcazar Holdings Unipessoal e Alcazar Global Holdings. O objetivo é permitir que os investigadores aprofundem o rastreamento das movimentações financeiras das companhias e identifiquem outras pessoas que possam ter mantido vínculos bancários com elas.

O Supremo também determinou a comunicação imediata das medidas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ao Banco Central, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), à Superintendência de Seguros Privados (Susep) e à Receita Federal, para que os órgãos adotem providências de bloqueio e monitoramento dentro de suas atribuições.

Procurada, a defesa de Willer questionou a suspensão das atividades de suas empresas, sob o argumento de que a determinação representa uma punição antecipada, sem que tenha havido acusação formal ou condenação.

“As determinações contra o advogado Willer Tomaz são desproporcionais e escancaram uma fishing expedition em pleno período eleitoral”, afirmou a defesa, em referência à prática de realizar investigações abrangentes na tentativa de encontrar eventuais irregularidades.

Fonte: Globo.com

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