
O valor do diesel não foi alterado pela companhia, que mantém seus preços de venda no mesmo patamar desde maio do ano passado – quando, na ocasião, reduziu de R$ 3,43 para R$ 3,27 por litro. Desde dezembro de 2022, diz a Petrobras, a redução acumulada nos preços de diesel para as distribuidoras, também considerando a alta dos preços ao consumidor, é de 36,3%.
— No diesel, a recíproca não é verdadeira, já que a estatal vem vendendo abaixo do mercado internacional em cerca de 8%. Portanto, deveria elevar o preço do diesel. Mas, se a estatal não segue a PPI, cria-se uma artificialidade, pois o mercado não sabe quando os preços serão alterados. Hoje, a companhia está perdendo dinheiro com o diesel. Assim, esse anúncio da Petrobras soa mais como algo político do que como um anúncio corporativo — afirma Rodrigues.
Dados da Abicom indicam que a estatal vem vendendo diesel abaixo do praticado no exterior. Na última semana, o combustível comercializado pela Petrobras estava entre 2% e 9% mais barato.
Reajuste foi abaixo das expectativas, diz banco
A expectativa das petroleiras este ano já era de preços mais baixos do barril de petróleo. O preço do barril de petróleo do tipo Brent, que serve de referência no mercado internacional, é negociado nesta segunda-feira a US$ 65 o barril. Desde o final de setembro, acumula queda de 7%.
Outros eventos contribuíram para aumentar a incerteza, como a operação dos Estados Unidos na Venezuela. Do começo do ano para cá, o barril acumula alta de 6,5%.
Relatório do Itaú BBA classificou o corte da estatal de “abaixo das expectativas”. Segundo o banco, o ajuste era amplamente esperado. “Desde o final de novembro, a diferença entre os preços domésticos da gasolina e o preço de paridade internacional (PPI) aumentou e persistiu, levando os investidores a antecipar que uma revisão possa ocorrer no curto prazo”.
Para Rodrigues, o cenário é de preços baixos do barril de petróleo. Estimativas do cenário internacional apontam para um preço do barril na faixa dos US$ 50 nos próximos anos.
— E no Brasil há ainda a influência do câmbio sobre o preço do combustível. Acredito que, mesmo com o anúncio de aumento da produção da Venezuela, não se sabe em que prazo isso vai ocorrer, pois depende dos desafios políticos que os governos americano e venezuelano terão do ponto de vista institucional para que as empresas voltem a investir no país. Esse ainda é um desafio. Mas, claro, há guerras que ainda podem acontecer, o que pode alterar o preço.
Por: O Globo
Petróleo na faixa dos US$ 50
Com base nas estimativas do Itaú, os preços da gasolina doméstica da Petrobras estavam cerca de 10% acima do cenário externo antes do ajuste. Por isso, “foi um pouco menor do que o previsto”. Após o ajuste, os preços domésticos devem ficar cerca de 5% acima do PPI, diz o banco.









