
Flávio chegou a citar que apoia Arthur Lira, que vai disputar o Senado em Alagoas, mas Lira não retribuiu o gesto e tem silenciado sobre a eleição presidencial.
Integrantes do PP dizem que Lira articulou para que a federação com o União Brasil adotasse neutralidade e que ele foi um dos atores que barrou a senadora Tereza Cristina (PP-MS) de ser vice de Flávio, após ela ter sido convidada pelo presidenciável.
O ex-presidente da Câmara chegou a ser visto em uma casa em Brasília onde Flávio recebia aliados que iam se candidatar ao Senado, mas o deputado minimizou a presença e disse que estava lá porque deu carona a um aliado. Lira é aliado do PL em Alagoas, mas também tenta manter pontes com o governo Lula.
Na relação entre o PL de Flávio e Alcolumbre também há estremecimentos. O PL tem a expectativa de ter a maior bancada de senadores e, independentemente de uma vitória nas eleições presidenciais ou não, ameaça lançar um candidato próprio ao comando do Senado para emplacar impeachment de ministros do Supremo.
Por sua vez, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tenta apoio de Lula e do PT para se reeleger e se manter na presidência da Casa Legislativa.
Entre os nomes que podem aparecer como concorrentes de Alcolumbre no ano que vem, com apoio do bolsonarismo, estão os senadores Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, e Tereza Cristina, que foi cotada para ser vice dele em uma operação que falhou, mas que permanece aliada do candidato do PL.
O presidente do Senado tem uma relação próxima de diálogo com ministros do STF, inclusive Alexandre de Moraes, alvo de diversos pedidos de impeachment feitos por parlamentares bolsonaristas devido a casos que miram o grupo político na Corte, e tem resistido a pautar esses pedidos de afastamento.
Diferentemente de Hugo Motta, Alcolumbre não fez uma declaração direta de apoio eleitoral a Lula e nem declarou voto no petista.
Apesar disso, o presidente do Senado fechou uma aliança com o PT no Amapá e apoia a reeleição do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso.
Por sua vez, o PT de Lula apoia a reeleição do governador do Amapá, Clécio Andrade (União Brasil), aliado de Alcolumbre.
Davi Alcolumbre atuou para que a federação União-PP adotasse a neutralidade em nível nacional e também facilitou acordos locais.
Em Minas, por exemplo, ainda que não apoie candidatos a governador do grupo do PT e nem do PL, o diretório estadual da federação é comandado desde julho pelo prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), próximo do PT.
No Rio, integrantes do PP são próximos do candidato do PSD a governador, Eduardo Paes, apoiado por Lula e pelo PT.
O presidente do Senado é o nome do nome do União Brasil com maior proximidade com o governo e foi o responsável por avalizar a escolha dos ministros Waldez Góes (Integração Nacional), Gustavo Feliciano (Turismo) e Frederico Siqueira Filho (Comunicações). Feliciano também é aliado do presidente da Câmara, Hugo Motta.
Antes da reaproximação com Lula, Alcolumbre travou uma queda de braço com o petista por conta da decisão do presidente da República de indicar o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o STF.
Alcolumbre e outros senadores desejavam que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) fosse o escolhido e Messias foi derrotado em votação no Senado, em uma derrota histórica para o governo Lula, já que uma indicação ao STF não era barrada pelo Senado há 132 anos.
Em meio à crise, iniciativas de interesse do governo ficaram travadas no Senado, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que dá fim à escala de trabalho 6×1, a PEC da Segurança, que reforça o papel da União na área, e o projeto de lei que regulamenta a exploração de minerais críticos.
Depois das reuniões entre Lula e o presidente do Senado, essas iniciativas foram destravadas e começarão a ser analisadas pelas comissões.
– Há muita boa vontade do presidente Alcolumbre de encaminhar esses projetos – disse o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE).
Em relação à vaga que está aberta no STF, há uma avaliação de que o tema só voltará a caminhar depois das eleições.
– A minha posição particular é que deve deixar para depois das eleições. Acho que (Lula e Alcolumbre) já falaram um pouco, acho que foi o primeiro assunto a ser tratado na primeira reunião que eles tiveram. Até porque foi esse ponto que gerou tudo.
Da mesma forma que o presidente do Senado, o presidente da Câmara, Hugo Motta, tenta se manter no comando da Casa com o apoio do governo. Ele declarou publicamente apoio a Lula em evento na Paraíba na última segunda-feira.
Na terça-feira, Lula fez uma ligação para Motta para agradecer o apoio e convidou o presidente da Câmara para uma reunião, que ainda não foi marcada.
Assim como Alcolumbre em seu partido, Motta foi um dos responsáveis por articular a posição de neutralidade no Republicanos. Flávio chegou a se reunir com o presidente do partido, Marcos Pereira, na véspera da convenção nacional da legenda, mas, no mesmo dia, o presidente da Câmara comunicou a Lula que a decisão seria de neutralidade.
Na conversa com Flávio, Pereira também disse que era inviável um apoio ao candidato do PL porque a maioria dos estados queria neutralidade.
O presidente da Câmara tem o interesse em eleger o pai, o ex-prefeito de Patos Nabor Wanderley (Republicanos) ao Senado, se reeleger como deputado e também se manter no comando da Câmara em 2027.
Para isso, ele conta a popularidade de Lula na Paraíba e o apoio institucional do governo, caso o petista seja reeleito, para se manter no comando da Casa.
Há também uma expectativa dentro da coordenação da campanha do PL de que Alcolumbre faça movimentos mais calculados que Motta e não declare publicamente voto em Lula.
O entendimento de bolsonaristas é que o presidente do Senado vai ter uma relação de proximidade com o governo por conta da diálogo institucional entre Congresso e Palácio do Planalto, mas que, como não vai precisar renovar o mandato de senador e nem quer eleger nenhum parente, ele não faria um gesto tão direto quanto o do presidente da Câmara.
O Globo










