
Em vídeo, presidente defendeu ‘reformas profundas’ do sistema político e Judiciário
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou um vídeo para se manifestar pela primeira vez sobre a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) provocada pela revelação de novas mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Na gravação de pouco mais de um minuto, o petista não cita diretamente Moraes, mas diz que há suspeita de envolvimento de políticos e agentes públicos no caso Master. Também defende reformas profundas do sistema político e Judiciário. Acrescentou ainda que todo mundo deve ser investigado, sem blindagem, e falou em vazamentos seletivos, em um recado ao ministro André Mendonça.
Lula diz no vídeo, gravado no Palácio do Palácio, que o escândalo do Master é “o maior roubo da história do Brasil”.
— Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios. O banqueiro líder do esquema tem relações com muita gente poderosa. Foi no meu governo que ele foi preso e o seu banco fechado. Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos.
O presidente cobrou a atuação do presidente do Supremo, Edson Fachin, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
— Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente do Suprema Corte e a Procuradoria Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações.
O presidente destacou a necessidade de investigações amplas sobre o caso.
— A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas. Fica claro que nosso sistema político e Judiciário precisam de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém. Doa a quem doer.
Lula defendeu ainda que os interesses públicos sejam colocados acima de interesses individuais.
— Como presidente da República, acredito que só agindo com firmeza e transparência vamos garantir que as instituições sejam respeitadas pela sociedade brasileira. É chegada a hora que as pessoas que atuam na vida pública honrem seu dever de ofício e coloquem o compromisso público acima de qualquer interesse individual.
Integrantes da campanha ainda avaliam se a gravação será apresentada no horário eleitoral de sábado. Lula tenta se desvencilhar da crise para não sofrer desgate eleitoral.
A decisão tomada pela cúpula da campanha era que Lula não falaria diretamente sobre o caso em um primeiro momento. O presidente só se manifestaria quando pudesse ter uma dimensão completa das mensagens de Vorcaro. A campanha à reeleição, porém, já havia decidido desde quarta-feira adotar o discurso de que “todos devem ser investigados”.
Porém, ao longo da quinta-feira, houve uma mudança de planos. O entorno de Lula entende que o caso traz desgaste para o presidente diante de sua ligação com Moraes desde o julgamento da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.
A conclusão foi que uma fala pública pode ser uma forma de evitar que a crise na Corte respingue na campanha. Relatório da Polícia Federal mostrou que Vorcaro pediu orientações a Moraes no auge da crise da instituição financeira. Durante um período de 13 dias, mensagens extraídas do celular do banqueiro apontam que ele pediu a intervenção do magistrado para impedir a liquidação do banco e o avanço das investigações. Nas conversas, Vorcaro faz apelos para “sensibilizar” autoridades e pergunta sobre como deveria proceder para “desarmar” e “reverter” a situação.
Auxiliares que estiveram com o presidente após as revelações afirmam que Lula ficou “perplexo” com a “forma e conteúdo” das mensagens. Segundo esses interlocutores, Lula avaliou, reservadamente, que essa é uma crise do Poder Judiciário que está tendo reflexos na sociedade. Também considerou que é ruim para a democracia ter um Judiciário com sua credibilidade abalada.
Fonte: Globo.com










