
Christa Gail Pike, hoje com 50 anos, foi condenada à morte pelo assassinato de uma colega de classe há três décadas, quando tinha 18 anos
A Suprema Corte dos EUA autorizou nesta quarta-feira a execução de Christa Gail Pike, a primeira mulher americana a ser executada desde 2023. Pike também será a primeira mulher a ser executada no estado do Tennessee em 200 anos. O tribunal deu sinal verde para a execução após anular uma decisão de um tribunal inferior que havia suspendido o processo.
“A ordem de 30 de setembro de 2026 do Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Sexto Circuito… que concedia a suspensão da execução, fica, por este meio, anulada”, lê-se na ordem do Supremo Tribunal datada desta quarta-feira.
De acordo com a defesa da mulher, a execução pode “começar a qualquer momento”.
Pike, hoje com 50 anos, foi condenada pela morte de Colleen Slemmer, de 19 anos, em janeiro de 1995. As duas eram colegas em uma instituição de treinamento profissional em Knoxville. Segundo os promotores, Pike atraiu Slemmer para uma área de mata porque suspeitava que ela tentava ficar com seu namorado, Thomas David Shipp.
De acordo com a acusação, Pike cortou Slemmer com um estilete e a espancou com um pedaço grande de asfalto. Shipp, que tinha 17 anos na época, admitiu ter esculpido um pentagrama no corpo da vítima. O símbolo, comumente associado ao satanismo, contribuiu para a repercussão do caso durante o período conhecido como “pânico satânico”, que marcou os Estados Unidos nas décadas de 1980 e 1990.
Pike não contesta ter participado do assassinato. Seus apoiadores, porém, afirmam que sua idade à época do crime, sua doença mental e o histórico de abusos sexuais graves deveriam ter sido considerados na aplicação da pena. Segundo os defensores, Pike foi vítima de estupros desde a primeira infância.
O defensor federal Stephen Ferrell afirmou que a condenação à morte de Pike é uma exceção entre casos semelhantes no Tennessee. Segundo ele, outros condenados à morte por crimes cometidos aos 18 anos no estado tiveram suas sentenças anuladas.
A decisão que suspendeu a execução foi tomada depois de a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitar, na terça-feira, um pedido dos advogados de Pike para interromper o procedimento. Na segunda-feira, o governador do Tennessee, Bill Lee, também havia negado o pedido de clemência apresentado pela condenada.
Pike chegou a reconhecer a gravidade do crime em uma declaração incluída no pedido de clemência. Ela afirmou que era uma jovem de 18 anos com problemas de saúde mental e que levou anos para compreender a dimensão do que havia feito e o impacto provocado nas pessoas próximas de Slemmer.
A mãe da vítima, May Martinez, defende a execução e afirmou que espera há décadas pela aplicação da sentença. Ela e o marido viajaram da Flórida para o Tennessee para acompanhar o procedimento.
As testemunhas da execução já estavam reunidas na penitenciária de segurança máxima de Riverbend, em Nashville, quando a ordem de suspensão foi emitida, por volta das 9h no horário local.
Pike foi a única das duas pessoas condenadas pelo assassinato a receber pena de morte. Shipp, que tinha 17 anos quando o crime ocorreu, foi condenado à prisão perpétua, com possibilidade de liberdade condicional.
A execução também seria histórica para o Tennessee. Segundo Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center, o estado não executa uma mulher há pelo menos 200 anos. Registros históricos, no entanto, são incompletos, o que impede determinar com precisão quando ocorreu a última execução de uma mulher no estado.
Fonte: Globo.com










