sábado, 17 de outubro de 2026

Morre Chiaki Ishii, 1º medalhista olímpico do judô brasileiro

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O esporte brasileiro perdeu um de seus nomes mais emblemáticos nesta sexta-feira (16). Chiaki Ishii, responsável por inaugurar as idas do judô do país ao pódio em competições de elite global, faleceu aos 85 anos. A causa do falecimento não foi informada.

Conquistas históricas e o início na lavoura

Nascido na cidade japonesa de Ashikaga, Ishii desembarcou em solo brasileiro em 1964, aos 22 anos, motivado por um recomeço após não se classificar na seletiva nipônica para os Jogos de Tóquio. Em seus primeiros anos no país, trabalhou na agricultura dentro de uma comunidade japonesa estabelecida em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. A distância das lutas durou pouco tempo, e o atleta logo retornou às competições.

Após escolher a naturalização brasileira em 1969, Ishii iniciou uma sequência de resultados inéditos. Em 1971, faturou a medalha de bronze no Mundial de Ludwigshafen, na Alemanha Ocidental. No ano seguinte, nos Jogos Olímpicos de Munique (1972), o judoca voltou a garantir o terceiro lugar, escrevendo de forma definitiva seu nome nos anais esportivos. Em âmbito continental, ele ainda conquistou quatro títulos nos Jogos Pan-Americanos.

Formador de talentos e herança familiar

O impacto de Ishii extrapolou os próprios títulos. Estabelecido em seu dojô no bairro da Lapa, na capital paulista, o sensei exerceu papel crucial na formação de atletas renomados que também alcançaram a glória olímpica, a exemplo de Walter Carmona e Rafael Silva, o Baby.

A paixão pelos tatames também virou dinastia. Suas filhas, Tânia Chie Ishii e Vânia Yukie Ishii, seguiram os passos paternos na modalidade e representaram a delegação brasileira nas edições olímpicas de Barcelona 1992, Sydney 2000 e Atenas 2004.

Em comunicado oficial sobre a perda, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) salientou a magnitude de sua atuação:

“Seu legado, porém, vai muito além dos resultados como atleta. Na academia que manteve na Lapa, em São Paulo, Ishii formou e influenciou judocas que levaram adiante sua contribuição para a modalidade” disse a entidade. “Neste momento de profunda tristeza, o COB expressa suas sinceras condolências aos familiares, amigos, alunos e a toda a comunidade do judô”, concluiu.

Honrarias e despedida da comunidade esportiva

Reconhecido como membro do Hall da Fama do COB, Chiaki Ishii recebeu em 2023 o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, distinção concedida a atletas que deixaram uma marca permanente na história nacional. Ele também ostentava o nível de Kodansha 9º Dan, maior grau da Ordem ao Mérito da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).

O presidente da CBJ, Paulo Wanderley, prestou tributo à memória do ídolo nacional:

“Hoje, o judô brasileiro se despede de uma de suas maiores referências. Chiaki Ishii foi um pioneiro que acreditou no potencial do Brasil e ajudou a mostrar ao mundo a força da nossa modalidade. Sua história não está apenas nas medalhas que conquistou, mas também nos atletas que formou, nos ensinamentos que compartilhou e no caminho que abriu para tantas gerações. Sua contribuição jamais será esquecida. Que sua memória permaneça viva em nosso esporte e continue inspirando todos aqueles que vestem um judogi”, disse Paulo Wanderley, presidente da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).

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