
O IBP acompanhou o cálculo do governo e observou que, enquanto a conta ministerial estimava redução de R$ 0,20 pelo litro — valor que depois caiu para R$ 0,13 nas projeções mais recentes —, os dados colhidos internamente na verdade mostravam um possível aumento de R$ 0,01. Segundo a Petrobras, a média nacional é de R$ 6,17.
Um dos tópicos que interferem na conta é que o etanol anidro ficou mais caro no período de adoção da gasolina E30, fator que, segundo Ana Mandelli, diretora executiva do IBP, tem relação com a lei da oferta e demanda. “Se vão precisar de mais etanol para produzir a gasolina, aumenta-se a procura […]. As margens são apertadas; é um negócio de escala em que tudo pode interferir no preço”, explica.
“O governo estava amparado e tinha os dados que apontavam a redução, mas não chegamos ao mesmo resultado. Podemos dizer que se tratava de uma análise mais otimista, e não de um erro de projeção […]. Além disso, o mercado de combustíveis é livre — o que torna este cálculo difícil de antecipar”, diz a diretora.
Os custos “ocultos” da gasolina
Para o especialista Pedro Rodrigues, do diretor do CBIE, a variação do preço é imprevisível. “No Brasil, os postos de combustível são livres para determinar o preço […]. Existem custos pulverizados no preço da gasolina que vão além do próprio valor do litro”.
A Petrobras disponibiliza uma plataforma online que mostra a composição do preço do litro da gasolina e quanto cada fator interfere na conta. É possível acessar tanto a média nacional — onde está precificada a R$ 6,17 — quanto o valor por estado, a depender da fatia do ICMS: em São Paulo o preço médio é de R$ 6,07, enquanto no Ceará chega a R$ 6,31.
Composição do preço da gasolina (média nacional em setembro/2025)
| Custo | Preço | Porcentagem |
| Distribuição e revenda | R$ 1,04 | 16,9% |
| Etanol anidro | R$ 0,98 | 15,9% |
| Imposto estadual | R$ 1,47 | 23,8% |
| Impostos federais | R$ 0,68 | 11% |
| Parcela da Petrobras | R$ 2,00 | 32,4% |
| Total | R$ 6,17 |









