Segundo ex-funcionários da companhia, Eric era uma figura de grande influência dentro da companhia.
Ele foi um dos executivos da companhia a prestar depoimento em uma comissão aberta na Câmara dos Deputados, em 2024, para investigar o acidente. Na oportunidade, ele afirmou que sempre trabalhou para garantir que todas as aeronaves voassem com 100% de condição de navegabilidade, seguindo rigorosamente os manuais dos fabricantes e as regras dos órgãos reguladores.
Na época, ele também garantiu que a empresa passava por inspeções periódicas da Anac e por auditorias externas voluntárias da IATA.
Segundo registros fiscais, Eric Cônsoli é dono da RP Aviation, criada em julho de 2025 e com funcionamento no mesmo hangar que antes era da Voepass. Segundo dados da Receita Federal, a empresa é de atividades auxiliares dos transportes aéreos, exceto operação dos aeroportos e campos de aterrissagem.
No entendimento da PF, ele foi indiciado por ignorar notificações formais e pessoais da Anac sobre falhas críticas de manutenção que antecederam o acidente. Segundo as investigações, ele foi identificado como um dos diretores que ligavam para as equipes de pista para pressionar pela liberação de aviões inoperantes.
David da Costa Faria Neto
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David da Costa Faria Neto, indiciado no inquérito da PF sobre a queda do voo 2283 da Voepass — Foto: Reprodução
- responde por atentado contra a segurança de transporte aéreo e por atentado contra a segurança de transporte aéreo qualificado pela destruição/queda da aeronave com resultado morte.
Com mais de 50 anos de aviação, iniciou a carreira na Força Aérea Brasileira (FAB) aos 15 anos, onde permaneceu por 30 anos. Além disso, trabalhou na Agência Nacional de Aviação Civil por quatro anos.
Na Voepass, atuou como diretor de Segurança Operacional da Voepass de 2016 até setembro de 2024, quando foi demitido por Felício.
Ele também foi um dos representantes da empresa que, em 2024, prestou depoimento a uma comissão na Câmara dos Deputados, ocasião em que confirmou ter participado de todas as tratativas de apoio aos familiares das vítimas e reiterou boas práticas da empresa com relação à manutenção das aeronaves.
Faria Neto foi indiciado por permitir que o sistema de gerenciamento de segurança operacional funcionasse sem efetividade prática de investigação. Na prática, segundo a PF, a diretoria falhou ao não identificar nem corrigir a sistemática de não se reportar falhas, o que foi central para a queda da aeronave.
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Escombros de avião em Vinhedo (SP) neste sábado, dia 10 de agosto de 2024 — Foto: Nelson Almeida/AFP
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Tiago Passucci Morani, indiciado no inquérito da PF sobre a queda do voo 2283 da Voepass — Foto: Reprodução
- responde por atentado contra a segurança de transporte aéreo e por atentado contra a segurança de transporte aéreo qualificado pela destruição/queda da aeronave com resultado morte.
Com formação técnica em manutenção aeronáutica, era o inspetor chefe da companhia e credenciado pela Anac para liberar as aeronaves ATR 72 e a atestar suas condições de uso.
O nome dele também consta como sócio-administrator de empresas nas áreas de comércio e importação e de serviços administrativos.
Morani foi indiciado por realizar liberações técnicas de aeronaves sem possuir a habilitação exigida e por estar ciente das panes crônicas no sistema de degelo, de acordo com a PF.
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Edson Serra Martins, indiciado no inquérito da PF sobre a queda do voo 2283 da Voepass — Foto: Reprodução
- responde por falsidade ideológica.
Conhecido como comandante Serra, atuou como piloto do voo PTB2293, de Guarulhos para Ribeirão Preto, na madrugada do dia do acidente.
Durante seu voo, os gravadores registraram detecção de gelo e ciclagens de reset no sistema de degelo da estrutura. No entanto, o comandante registrou “nothing to report” (nada a declarar) no relatório técnico da aeronave.
Serra foi indiciado por ocultar deliberadamente a falha no sistema de degelo. Em termos práticos, seguiu a cultura da empresa ao fazer apenas um relato verbal aos mecânicos para evitar que a aeronave ficasse retida no solo.
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Luciano Alves de Macedo, indiciado no inquérito da PF sobre a queda do voo 2283 da Voepass — Foto: Reprodução
- responde por atentado contra a segurança de transporte aéreo qualificado pela destruição/queda da aeronave com resultado morte.
Foi o comandante do voo PTB2204 no dia do acidente que registrou alertas de “airframe fault” (falha no degelo da estrutura), mas, assim como em outros voos daquele dia, a anomalia não foi formalmente reportada no livro de bordo.
Segundo a PF, ele foi indiciado por não registrar as falhas no sistema de degelo detectadas pelos sensores da aeronave durante o voo anterior ao acidente. Essa omissão impediu que a manutenção corretiva ocorresse, expondo a tripulação seguinte ao perigo que resultou na queda.
Oderlino de Campos Figueiredo
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Oderlino de Campos Figueiredo, indiciado no inquérito da PF sobre a queda do voo 2283 da Voepass — Foto: Reprodução
- responde por atentado contra a segurança de transporte aéreo.
Identificado como despachante operacional de voo, responsável pelo despacho dos voos PTB2204 e PTB2293 realizados pela aeronave no dia do acidente.
Campos Figueiredo foi indiciado por planejar e despachar a aeronave em condições meteorológicas que não estavam de acordo com a Lista de Equipamentos Mínimos (MEL). Na prática, ignorou previsões confirmadas de chuva e formação de gelo, contribuindo para a quebra da barreira técnica de segurança.
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John Major Viana, indiciado no inquérito da PF sobre a queda do voo 2283 da Voepass — Foto: Reprodução
- responde por atentado contra a segurança de transporte aéreo.
Atuou como o despachante operacional de voo responsável pelo voo PTB2282 – de Guarulhos para Cascavel (PR) – no dia do acidente.
Foi indiciado, segundo a PF, por despachar a aeronave para uma rota com alerta de gelo severo, ignorando limitações de certificação do equipamento. Ele admitiu ser conivente com a prática de “segurar” reportes de falhas para evitar a retenção de aviões fora da base principal.
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Marcos Hiroyuki Sato, indiciado no inquérito da PF sobre a queda do voo 2283 da Voepass — Foto: Reprodução
- responde por atentado contra a segurança de transporte aéreo qualificado pela destruição/queda da aeronave com resultado morte.
Era despachante operacional de voo e foi indiciado por autorizar o despacho da aeronave no voo do acidente contrariando regras objetivas da MEL sobre o limpador de para-brisa inoperante.
Em termos práticos, segundo a PF, admitiu que priorizou evitar transtornos logísticos e prejuízos financeiros à empresa em detrimento das normas de segurança.
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Alex de Souza Leandro, indiciado no inquérito da PF sobre a queda do voo 2283 da Voepass — Foto: Reprodução
- responde por atentado contra a segurança de transporte aéreo e por atentado contra a segurança de transporte aéreo qualificado pela destruição/queda da aeronave com resultado morte.
Técnico de manutenção da Voepass, ele assinou o fechamento da lista de ações corretivas retardadas (ACR) e o “daily check” (inspeção diária) da aeronave no dia 9 de agosto de 2024.
O laudo observa que, nas fichas por ele assinadas, não constavam as falhas de degelo ocorridas nos voos anteriores daquele mesmo dia, pois não haviam sido lançadas pelos pilotos.
Ele foi indiciado por assinar a liberação técnica da aeronave sem realizar os testes obrigatórios e ignorando alertas verbais diretos sobre falhas no sistema de degelo. Assim, segundo a PF, ele permitiu que o avião operasse com um sistema crítico inoperante para ceder à pressão de não atrasar a malha aérea.
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William Schmidt Agatz, indiciado no inquérito da PF sobre a queda do voo 2283 da Voepass — Foto: Reprodução
- responde por atentado contra a segurança de transporte aéreo e por atentado contra a segurança de transporte aéreo qualificado pela destruição/queda da aeronave com resultado morte.
Agatz era gerente do centro de controle operacional da Voepass e considerado uma peça central na cadeia de decisão das operações, como um elo entre a diretoria, o centro de controle de manutenção e os despachantes para decidir quais aeronaves operariam ou seriam retidas para manutenção.
Segundo a PF, Agatz foi indiciado por gerenciar a prática sistemática de mascarar falhas técnicas, orientando que panes fossem reportadas apenas na base principal de Ribeirão Preto para evitar a retenção de aviões em bases secundárias.
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Juliano Flores Pacheco, indiciado no inquérito da PF sobre a queda do voo 2283 da Voepass — Foto: Reprodução
- responde por atentado contra a segurança de transporte aéreo e por atentado contra a segurança de transporte aéreo qualificado pela destruição/queda da aeronave com resultado morte.
Atuava como gerente do centro de controle de manutenção, sendo o superior direto dos mecânicos de pista. Mesmo com sua licença de mecânico cassada pela Anaca desde 2022 por irregularidades técnicas, ele continuava na chefia do setor.
Segundo a PF, Pacheco foi indiciado por exercer pressão direta e coação sobre mecânicos para liberarem aeronaves com defeitos graves, chegando a determinar “resets” de avisos de pane sem a troca de componentes e autorizando liberações baseadas em capítulos falsos da Lista de Equipamentos Mínimos para forçar voos irregulares.
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Carlos Alberto Costa, indiciado no inquérito da PF sobre a queda do voo 2283 da Voepass — Foto: Reprodução
- responde por atentado contra a segurança de transporte aéreo e por atentado contra a segurança de transporte aéreo qualificado pela destruição/queda da aeronave com resultado morte.
Costa era diretor de manutenção da companhia, integrando a alta direção técnica, e era o responsável pela supervisão direta do centro de controle de manutençãoi e do setor de confiabilidade (SASC).
Segundo a PF, ele foi indiciado por omissão na posição de garantidor da segurança da frota, permitindo que deficiências crônicas como as falhas no sistema de degelo fossem mascaradas por manipulações de procedimentos, renovações artificiais de prazos de manutenção e até o uso de peças de sucata para simular trocas de componentes.
O que dizem os indiciados
O g1 tenta localizar as defesas dos indiciados nesta quinta-feira (6). Veja o que eles disseram durante as investigações da Polícia Federal:
José Luiz Felício Filho: admitiu ter ciência da cultura de omissão de reportes de panes, revelando inclusive que diretores da Anac o alertaram pessoalmente sobre esse padrão de conduta dos pilotos ao longo dos anos.
Ele também reconheceu que a aeronave não deveria estar nas condições técnicas em que se encontrava, nem deveria ter sido despachada para aquela rota, embora tenha alegado que sua equipe de segurança operacional trabalhava apartada das decisões diárias.
Edson Serra Martins: admitiu ter conhecimento da falha no sistema de degelo (airframe de-icing) durante seu voo na madrugada do acidente, tendo inclusive relatado o problema verbalmente aos auxiliares de mecânico no pátio.
Luciano Alves de Macedo: negou em seu depoimento ter enfrentado qualquer alerta de falha no sistema de degelo ou de acúmulo de gelo em seu trecho. Ele alegou que, sob sua perspectiva, o avião estava em perfeitas condições de aeronavegabilidade ao finalizar o voo, justificando assim a ausência de qualquer registro de irregularidade no livro de bordo.
John Major Viana: admitiu ter despachado a aeronave para condições de gelo severo, mas se justificou alegando que os procedimentos da empresa na época não restringiam voos nessas áreas, desde que os sistemas estivessem funcionando. Também afirmou desconhecer falhas prévias no sistema de degelo por falta de registro no TLB, mas confessou que a diretoria sugeria rotineiramente “segurar” reportes de panes para que fossem feitos apenas na base principal em Ribeirão Preto.
Marcos Hiroyuki Sato: justificou o despacho da aeronave com o limpador de para-brisa inoperante alegando que o aeródromo alternativo não tinha previsão de chuva, mas admitiu que autorizou o voo para evitar transtornos logísticos e financeiros à Voepass, pois manter o avião parado em Cascavel causaria um cancelamento de pelo menos 12 horas por falta de tripulação no local.
Alex de Souza Leandro: negou ter recebido qualquer relato verbal de seus auxiliares sobre a pane no sistema de degelo reportada pelo comandante Serra na madrugada do acidente. Apesar de ter assinado a liberação da aeronave no “daily check”, alegou que, como o piloto não havia feito anotações formais no livro, a aeronave estava apta para o serviço, versão que foi contestada pelos testemunhos de seus subordinados.
Raphael Limongi de Figueiredo: negou em depoimento ter conhecimento das falhas intermitentes no sistema de degelo da aeronave antes do acidente.
Marcel Sarquis Moura: alegou em sua defesa que sua função na diretoria era apenas prover facilidades logísticas, e que a responsabilidade técnica pelas operações e tripulações cabia ao piloto chefe.
Esta notícia está em atualização.
Fonte: G1










