
Órgão identificou casos de empresas que falsificavam relatórios de voo para reduzir custos de manutenção
Após quatro pessoas morrerem durante um passeio de helicóptero na Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, na Zona Norte do Rio, no último dia 8, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) intensificou a fiscalização das empresas e aeronaves que realizam voos panorâmicos na cidade e identificou uma série de irregularidades. Das 12 empresas autorizadas a realizar esse tipo de atividade, nove já foram analisadas, e quatro delas foram suspensas, incluindo a que fez o voo do acidente do início do mês. Das 46 aeronaves autorizadas a fazer os passeios, 18 foram fiscalizadas, e metade delas apresentou irregularidades.
Nas fiscalizações realizadas, a Anac identificou casos de duas empresas que falsificavam relatórios de voo, que detalham as horas de vooo dos heli´cópteros , para reduzir custos de manutenção.Nos documentos, as empresas informavam,, por exemplo, que as aeronaves haviam voado por dez minutos, quando, na realidade, haviam voado por 30 minutos.
Tiago Chagas Faierstein, presidente da Anac, não divulgou os nomes das empresas que falsificavam os relatórios. O dirigente admitiu que a agência fiscaliza as empresas, mas que, na rotina, não é possível identificar falhas como as encontradas no caso do Rio, o que exige inspeções mais aprofundadas:
— A fiscalização é ampla. Inclui a verificação não só da regularidade dos documentos, mas também se os pilotos estão autorizados a prestar o serviço — disse Tiago. — Os acidentes foram um gatilho. É humanamente impossível fiscalizar todos os helicópteros do Brasil. O Rio indicou mais problemas, por isso não estamos fiscalizando São Paulo — disse o presidente.
As declarações foram dadas em uma coletiva no Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio. A Anac também informou que vai rever o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil 136, com as regras para autorizações de voos panorâmicos na cidade. O objetivo, segundo a agência, é “aprimorar os requisitos de segurança operacional, considerando a evolução do setor, as características regionais e as boas práticas internacionais”. O escopo do que será analisado inclui os requisitos organizacionais das empresas, a qualificação das tripulações, a manutenção das aeronaves e a gestão da segurança operacional.
As empresas suspensas foram:
- Voos Rio Panorâmico e Serviços Aeronáuticos LTDA (empresa do voo que deixou quatro mortos no último dia 8)
- Broad Fly
- Nobre Turismo
- Mr. Top Fly
Restrições no heliponto da Lagoa
Em outra medida anunciada nesta terça-feira, a prefeitura do Rio rescindiu termos de compromisso com cinco empresas que tinham autorização para pousar e decolar do heliponto da Lagoa, na Zona Sul da cidade. Uma dela é a Voos Rio Panorâmico e Serviços Aeronáuticos LTDA, proprietária do helicóptero que caiu no último dia 8 de agosto perto da Vista Chinesa, provocando a morte de três turistas colombianas e do piloto.
Essas empresas eram, até então, autorizadas pela Anac para voos panorâmicos. Mas, no caso da pista da Lagoa, só podiam realizar a atividade com autorização expressa do município.
A medida anunciada pelo município nesta terça-feira não impede, no entanto, operações dessas empresas saindo de outras pistas. A partir de agora, a única empresa autorizada pela prefeitura a usar o heliponto da Lagoa é a Helisul. Um dos objetivos da medida é tentar reduzir pousos e decolagens que sobrevoam a Zona Sul, o que tem gerado protestos de moradores devido ao barulho das aeronaves.
As rescisões já estão no Diário Oficial do Município. A medida atinge as seguintes empresas:
- Be Faster Serviços Aéreos LTDA
- Gabriel G. Aredes e Piloto Padrão Táxi Aéreo e Serviços Aeronáuticos LTDA
- Nobre Turismo Aéreo LTDA
- Voos Rio Panorâmico e Serviços Aeronáuticos LTDA
- Infinity Serviços Aéreos Especializados LTDA
Fonte: Globo.com










