Desembargador pede apuração sobre soltura de casal paulista suspeito de comprar bebê por R$ 500 no AM

Ainda conforme as investigações, o casal suspeito de comprar o bebê estava em Manacapuru desde junho, acompanhando a gestação, com a intenção de levar a criança para São Paulo. A polícia também identificou a atuação de uma mulher, natural de Manacapuru e com histórico de facilitar adoções ilegais, que teria ajudado no processo.

“Com base em tudo isso, confirmamos que existe um esquema de adoção ilegal, envolvendo pagamentos em dinheiro. Por isso, realizamos o flagrante e apreendemos os celulares dos três presos. A quebra de sigilo será solicitada para identificar todos os envolvidos e responsabilizá-los conforme a lei”, afirmou Joyce Coelho.

A delegada também informou que há indícios de que o casal tenha levado outra criança em uma ocasião anterior, embora isso ainda não tenha sido confirmado. Além disso, eles tiveram um processo de adoção arquivado por não apresentarem a documentação correta e por tentarem fraudá-lo.

Joyce reforçou que a mãe do bebê deve ser indiciada ao longo da investigação. “Haverá mais indiciados, como a mãe da criança, a esposa do intermediador e outra pessoa, caso seja identificada e comprovada a participação dela nessa rede de adoção ilegal”, concluiu.

Apesar da prisão em flagrante, os dois homens foram liberados após audiência de custódia, no domingo (13).

“A prisão foi legal, mas a Justiça optou pela liberação. Agora, seguimos reunindo provas mais consistentes para pedir a prisão preventiva”, explicou a delegada.

O trio responderá pelos crimes de tráfico de pessoas com a finalidade de adoção ilegal. Eles seguem à disposição da Justiça.

Esquema de adoção ilegal

A investigação aponta a existência de um esquema de adoções ilegais envolvendo moradores de Manacapuru e contatos em São Paulo. Segundo a Polícia Civil, uma mulher ainda não identificada, natural de Manacapuru e residente em São Paulo, seria responsável por atrair interessados na adoção clandestina de crianças.

De acordo com depoimento do intermediador José Urbelan Pinheiro de Magalhães, conhecido como “Sabão”, foi essa mulher quem apresentou o casal paulista à mãe do bebê. A polícia apurou que a mãe decidiu entregar o recém-nascido para quitar uma dívida com um agiota.

“Essa mulher de São Paulo, natural de Manacapuru, fazia o contato com possíveis interessados e repassava para o intermediador aqui”, afirmou a delegada Joyce Coelho.

Ainda segundo a investigação, além dos R$ 500 inicialmente informados, a mãe pode ter recebido outros valores, conforme indicam transferências via PIX feitas nos últimos meses.

O casal estava hospedado em um hotel em Manacapuru desde junho, acompanhando a gestação. Um dos homens assistiu ao parto e se apresentou como pai da criança, chegando a receber a Declaração de Nascido Vivo (DNV), documento necessário para o registro civil.

“Com esse documento, ele poderia perfeitamente ter ido ao cartório, registrado a criança como se fosse filho biológico e saído do estado”, explicou a delegada.

Em nota, a Prefeitura de Manacapuru informou que o Hospital Geral e a Maternidade Cecília Cabral estão colaborando integralmente com a Polícia Civil e o Conselho Tutelar nas investigações.

Segundo a nota, a maternidade recebeu alertas com informações sobre os suspeitos e repassou dados e imagens às autoridades após identificar atitudes suspeitas durante o atendimento, que incluiu o acompanhamento da gestante e o parto, realizado normalmente.

Criança foi acolhida e mãe deve ser ouvida

Após receber alta médica no domingo (13), o bebê foi acolhido por uma instituição de proteção à infância e está sob os cuidados do Conselho Tutelar.

“A genitora não tem condições de permanecer com a criança. Ela já havia negociado a entrega para quitar uma dívida. Por isso, o acolhimento foi imediato”, afirmou a delegada.

Por: G1

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