Diagnosticada com esclerose múltipla, top Carol Ribeiro fala da convivência com a doença: ‘Não é uma sentença de morte’

Viveu uma via crucis de médico em médico?
Primeiro, fui ao ginecologista, e as minhas taxas hormonais estavam normais. Depois, um endocrinologista me passou remédios para a tireoide. Conversando com a (médica e modelo) Ana Claudia Michels, de quem sou muito amiga, ela disse para eu não tomar nada disso, porque não tinha nada na tireoide. Voltei ao ginecologista, e ele falou que eu precisava parar, escutar meu corpo. Aí, me encaminhou para um neurologista. Após muitos exames, o diagnóstico veio em abril do ano passado.

Estudos dizem que a menopausa pode afetar mais as mulheres com esclerose múltipla. Já procurou tratamento hormonal?
Os níveis de estrogênio, hormônio que ajuda a regular o sistema nervoso e imunológico, diminuem na menstruação e na menopausa. Por causa da doença, tenho muito mais os sintomas. Comecei um tratamento com implantes hormonais e ainda estamos em fase de ajustes, mas, em 40 dias, voltei a ser a Carol de antes, bem melhor, tipo “Mulher Maravilha”.

Foi duro falar publicamente do assunto?
Falei sobre a doença em um evento em abril deste ano, e as pessoas ficaram em choque. Mas já era algo resolvido para mim, então, não. É preciso desmistificar a esclerose múltipla como uma coisa que te incapacita. Estou conseguindo conviver com ela, mas sei que tenho privilégios.

A medicação que você toma custa 200 mil reais por dose. O acesso foi difícil?
A autorização do plano de saúde demorou 17 dias, mas pareceu muito mais. Tem quem esteja batalhando há um ano, só que tudo depende de como o médico faz o laudo. É possível conseguir o remédio pelo SUS, mas o que complica é receber o diagnóstico certeiro.

O que mudou na sua rotina?
Evito álcool, embutidos, não posso comer nada cru ou mal passado e evito alimentos industrializados. No geral, estou mais saudável do que antes, porque me alimento melhor e incluí os exercícios físicos na rotina de forma definitiva.

A doença te fez procurar terapia?
Sim. Nunca havia feito, era cética, pensava que ninguém resolveria meus problemas. Mas é interessante porque abre caminhos, organiza os pensamentos. Sempre fui mais objetiva e realista, e a gente precisa se permitir ser vulnerável e mais positiva. Pensar que, sim, as coisas vão dar certo.

Você e Paulo estão casados há 29 anos. Como ele ajudou você a lidar com tudo isso?
Paulo é meu porto seguro. Todo mundo precisa ter o privilégio de ter alguém com quem possa ser vulnerável. Não gosto de ninguém me amansando ou dizendo “coitadinha da Carol”. Mas se tem alguém que pode fazer isso, é ele. Eu chorava, e ele se mantinha forte, mas o medo era grande. Quando o período crítico passou, percebi que ele também precisava de suporte.

Já declarou que tinha tendência a ser uma mãe superprotetora. como trabalhou a independência do seu filho, João?
É preciso respirar fundo e confiar. Teve a ver com ele ganhar o mundo aos 17 anos, quando foi estudar nos Estados Unidos. Hoje, faz faculdade de Economia em Miami. Mas é um trabalho eterno de entender que ele já cresceu. João é filho único, e vamos querer cuidar dele para sempre.

Top Intimissimi, camisa Rober Dognani, luvas Minha Avó Tinha, pulseira Swarovski, calça Aläia na NK Store, cinto Virgínia Cavalheiro, meia-calça Calzedonia e sapatos Schutz — Foto: Gustavo Ipolito

Top Intimissimi, camisa Rober Dognani, luvas Minha Avó Tinha, pulseira Swarovski, calça Aläia na NK Store, cinto Virgínia Cavalheiro, meia-calça Calzedonia e sapatos Schutz — Foto: Gustavo Ipolito

Como vê os influenciadores na moda?
Há lugar para todos, mas tudo depende do objetivo do estilista. Se ele quer colocar 10 influencers na passarela, ok, mas perde a essência, porque o foco se torna a pessoa e não a peça. Entendo que o número de seguidores é importante, um caminho sem volta. Mas é preciso ter personalidade, saber se comunicar, estar forte na moda, ter o que dizer, para depois se tornar um influenciador.

No último ano, houve um troca-troca dos diretores criativos nas marcas de luxo. Como analisa esse movimento?
Todo mundo está perdido. Quando uma marca abraça uma causa, é preciso ir até o fim, porque se parar no meio, “quebra”. Não dá para levantar a bandeira da diversidade, por exemplo, se não puder sustentá-la. O mercado também surfou na onda dos rappers, da rua, dos sneakers… As marcas tentaram ser modernizar, mas qual é o DNA delas? Como surgiram? Não dá para se afastar muito disso.

Economicamente também há uma crise mundial no luxo. Vê saída para esse problema?
O luxo ainda está tentando se entender, vivemos um processo de mudança. Os valores praticados hoje não cabem na realidade. Quiseram propagar a ideia de que a moda é democrática, mas é uma mentira, não faz parte da realidade de todos. E não precisamos de um item de marca para sermos importantes. No caso do Brasil, o futuro da moda, a longo prazo, é conseguir unir forças com conhecimento estético, ancestral, um olhar refinado no fazer, para que isso se torne o nosso luxo.

Por: O Globo

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