
Montante empenhado em janeiro e início de fevereiro supera anos anteriores; articulação ocorre em meio a eleições para presidência da Câmara e do Senado
BRASÍLIA – O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou o ano de 2026 com uma liberação recorde de recursos de emendas parlamentares. Em pouco mais de um mês, o Palácio do Planalto autorizou o empenho (reserva para pagamento) de cerca de R$ 15 bilhões em verbas indicadas por deputados e senadores.
O valor é o maior para o período de início de ano desde que o monitoramento começou a ser detalhado. O movimento ocorre em meio à articulação política para as eleições das mesas diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, marcadas para este mês, e reflete a tentativa do Executivo de garantir uma base aliada estável no Congresso Nacional para o último biênio do mandato.
De acordo com dados do Siga Brasil, sistema de orçamento do Senado, o montante liberado até a primeira semana de fevereiro foca principalmente em emendas individuais e de bancada, que têm pagamento obrigatório (impositivas). No entanto, a velocidade da liberação chamou a atenção de técnicos do Legislativo, já que tradicionalmente o fluxo de caixa no primeiro bimestre costuma ser mais contido.
A maior parte dos recursos foi destinada a áreas como Saúde e Assistência Social, que permitem transferências diretas para prefeituras — o que é visto como um trunfo político para parlamentares em ano de preparação para sucessões locais e manutenção de bases eleitorais.
Aliados do governo negam que a liberação recorde seja um “balcão de negócios” para as eleições do Congresso. Segundo integrantes da articulação política do Planalto, a aceleração se deve a uma melhora na gestão dos fluxos orçamentários e ao cumprimento de cronogramas acordados ainda no final de 2025.
Por outro lado, a oposição critica o volume de recursos, apontando que o uso das emendas continua sendo a principal ferramenta de barganha política do governo para evitar derrotas em votações importantes e para influenciar na escolha dos novos presidentes das Casas legislativas.
O valor de R$ 15 bilhões empenhados neste início de 2026 supera significativamente os cerca de R$ 9 bilhões liberados no mesmo período de 2025, evidenciando a estratégia de antecipação de gastos do governo Lula diante de um cenário de pressão fiscal e necessidade de apoio parlamentar.
Por: Folha de São Paulo









