terça-feira, 13 de outubro de 2026

Justiça barra Vasco x Boca no Maracanã pela Sul-Americana

Justiça volta atrás e suspende jogo do Vasco contra o Boca no Maracanã

O confronto decisivo entre Vasco da Gama e Boca Juniors, válido pela semifinal da Conmebol Sul-Americana e marcado para o dia 20 de outubro, às 21h30, não poderá mais ocorrer no Maracanã. Uma determinação liminar concedida pela 1ª vice-presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), desembargadora Suely Lopes Magalhães, atendeu a um pedido do Consórcio Fla-Flu Serviços e revogou a autorização anterior que obrigava a liberação do estádio.

Risco de segurança e sobreposição de eventos

Ao analisar o caso, a magistrada destacou que a liberação anterior, assinada pelo desembargador Marco Antônio Ibrahim, da 23ª Câmara de Direito Privado, havia sido concedida na sexta-feira (9) sem oportunizar a manifestação do consórcio gestor. Além da questão processual, o calendário do complexo esportivo foi decisivo para a revogação.

Na mesma noite do embate internacional, o ginásio do Maracanãzinho receberá um clássico entre Flamengo e Botafogo pela Liga Nacional de Basquete, o que gerou forte preocupação com o policiamento no entorno.

“Cabe acrescentar, ainda, o fato notório de que na mesma noite da partida de futebol entre Vasco da Gama e Boca Juniors ocorrerá no estádio do Maracanãzinho o jogo entre Flamengo e Botafogo pela Liga Nacional de Basquete. Dessa maneira, há evidente risco de segurança pública em permitir a confluência de três torcidas rivais na mesma praça esportiva”, esclareceu a desembargadora.

Diante desse cenário, a representante do Judiciário fluminense determinou a paralisação dos efeitos do despacho anterior até que a matéria seja apreciada em definitivo:

“Ante o exposto, defiro a liminar para suspender os efeitos da decisão proferida pelo desembargador Marco Antônio Ibrahim nos autos do Agravo de Instrumento, até o julgamento deste mandado de segurança pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça”, escreveu a magistrada.

A desembargadora também expediu ordens diretas para que a agremiação cruz-maltina tome providências imediatas junto à entidade sul-americana de futebol:

“Intime-se o Vasco dando ciência imediata desta decisão pelos meios disponíveis no plantão, inclusive por Oficial de Justiça, para que adote, no prazo regulamentar, as providências que entender cabíveis quanto à indicação da praça esportiva à Conmebol e à comercialização de ingressos.”

Vasco ingressa com petição urgente para manter estádio

O clube de São Januário não aceitou a determinação e apresentou um pedido urgente no dia 10 de outubro endereçado à própria desembargadora Suely Lopes Magalhães, primeira vice-presidente do TJRJ, com o intuito de restaurar o direito de atuar no principal palco do futebol carioca.

A diretoria vascaína sustentou que “mudar o estádio neste momento não significa apenas trocar o endereço da partida. Significa reorganizar um evento internacional que, segundo o clube, já tem 46.014 ingressos comercializados”.

De acordo com os argumentos da equipe jurídica do clube, transferir o confronto acarretaria um complexo remanejamento de setores, assentos e catracas, além de eventuais processos de ressarcimento de valores. O planejamento prevê ainda credenciamento de cerca de 250 profissionais de imprensa e a recepção de uma caravana argentina composta por 50 a 60 ônibus de torcedores do Boca Juniors.

Indicação do Nilton Santos como alternativa

A decisão da Justiça carioca reforçou que o veto ao Maracanã não compromete o calendário esportivo da equipe, sugerindo o uso de outra arena na cidade.

“A suspensão da decisão não impede a partida; restabelece a situação anterior, na qual o Vasco da Gama dispunha, para cumprir o regulamento da competição, do Estádio Nilton Santos, cuja aptidão para o evento a Polícia Militar atestou e que recebeu, nos últimos dois anos, semifinal da Libertadores, final da Recopa e oitavas de final da Sulamericana”, escreveu a desembargadora Suely Magalhães.

Por outro lado, embora reconheça que a Polícia Militar validou a praça esportiva no Engenho de Dentro, a defesa vascaína frisou em seu requerimento “que o Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe) manteve o Maracanã como alternativa preferencial, por sua infraestrutura, acessibilidade e condições de organização”. A definição final sobre o palco da semifinal depende agora dos novos desdobramentos no TJRJ.