A postura adotada pelo ministro Nunes Marques na fase decisiva das eleições provocou forte mal-estar entre magistrados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF). A celeridade incomum na liberação de processos e a concessão de medidas cautelares individuais levaram colegas de toga a classificar a movimentação reservadamente como um verdadeiro ritmo de tratoraço.
Decisões monocráticas na reta final da campanha
A irritação no ambiente dos tribunais decorre principalmente do volume e do teor das determinações expedidas pelo ministro às vésperas da votação. Em vez de submeter recursos complexos ao escrutínio do plenário, o magistrado optou por despachar monocraticamente em casos sensíveis, alterando o cenário jurídico de disputas locais em um momento considerado crítico.
Integrantes das cortes avaliam que a emissão de liminares de última hora gera instabilidade no pleito e dribla o consenso colegiado, mecanismo historicamente prezado pela cúpula do Judiciário para pacificar controvérsias de natureza eleitoral.
Descontentamento nos bastidores do STF e do TSE
Nos bastidores de Brasília, a percepção predominante entre os ministros é a de que a atitude rompeu com a praxe de prudência que costuma vigorar entre o primeiro e o segundo turno. A pressa em destravar candidaturas e reverter decisões de instâncias regionais antes que os demais membros pudessem se manifestar gerou atritos diretos nas conversas internas.
Interlocutores do tribunal apontam que o comportamento acentuou o isolamento de Nunes Marques em determinados debates eleitorais, ampliando a desconfiança de pares que enxergam na manobra um cálculo para produzir efeitos imediatos nas urnas antes de qualquer possibilidade de revisão colegiada.
Impactos no ambiente institucional
O episódio aprofunda fissuras já existentes entre a ala majoritária das cortes superiores e magistrados com perfil mais alinhado a correntes divergentes, desgastando a coesão interna em um período tradicionalmente marcado pela busca de unidade perante a opinião pública.
Com o encerramento do calendário de votação, a expectativa no meio jurídico é de que os desdobramentos dessas determinações pontuais voltem a ser debatidos no plenário, onde os ministros pretendem fixar limites mais rígidos à atuação monocrática em períodos eleitorais.










