Vazamento de gás em Manaus: empresa recebe nova multa de R$ 5,3 milhões após drone detectar fissura em tanque

Nesta sexta, ainda há liberação de vapores do produto químico, mas em intensidade menor do que a registrada no início da ocorrência. Segundo o Corpo de Bombeiros, cerca de 80% do material que ainda sai do tanque é formado por partículas de água, enquanto a concentração de estireno é significativamente menor em comparação ao momento do vazamento.

Vídeos gravados por trabalhadores logo após o início do vazamento e que circulam nas redes sociais mostraram a gravidade da situação. Nas imagens, é possível ver uma densa nuvem de fumaça branca saindo da área dos tanques e se espalhando rapidamente pelo pátio da empresa. A intensidade do vapor assustou os funcionários que estavam no local e em fábricas vizinhas.

Área isolada e investigação

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, o comandante-geral dos Bombeiros, coronel Muniz, informou que a área isolada após a ocorrência compreende um raio de 300 metros ao redor do tanque onde ocorreu o vazamento.

Segundo ele, a empresa localizada ao lado da Innova foi evacuada e o isolamento permanece mantido. Apenas equipes envolvidas na resposta à ocorrência, como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar do Amazonas (PMAM), Defesa Civil e órgãos de saúde, seguem com acesso ao local.

O comandante também informou que será realizada uma perícia para apurar as causas do incidente.

Sobre o que provocou o superaquecimento do produto, Muniz afirmou que a principal hipótese é uma reação espontânea no interior do tanque.

“Tudo caminha para uma reação espontânea no interior do tanque. Uma vez que a molécula do estireno se quebra, ocorre uma reação em cadeia que vai superaquecendo o produto”, explicou.

Segundo o comandante, caso as válvulas de segurança não fossem acionadas, a reação poderia provocar explosão ou incêndio.

“No caso específico da Innova, houve a liberação das válvulas de segurança do tanque. Foi isso que provocou o vazamento observado em jatos verticais, porque o produto estava submetido a alta pressão no interior do reservatório”, afirmou.

Em nota, a Innova informou que a ocorrência foi controlada conforme os protocolos de emergência da companhia e que todo o resíduo gerado foi armazenado para tratamento adequado. Segundo a empresa, cerca de 80% do material liberado nesta sexta-feira é vapor d’água, gerado pelo processo de resfriamento, enquanto o restante corresponde a gases residuais, que continuam sendo monitorados pelas equipes técnicas e pelos órgãos competentes.

A companhia afirmou ainda que mais de 85% do material no tanque já está polimerizado (solidificado) e que o processo deve ser concluído até o fim da noite, embora possam ocorrer pequenos resquícios de polimerização nos próximos dias. A empresa afirmou ainda que não há risco relacionado aos demais tanques da unidade, pediu desculpas pelos transtornos e disse que investiga as causas do superaquecimento.

Em nota, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) informou que acompanha a ocorrência e solicitou informações detalhadas sobre as medidas de contenção adotadas pela empresa.

O órgão ressaltou que a operação segura das instalações é responsabilidade da companhia e que a apuração das causas e dos impactos ambientais, sanitários e à saúde dos trabalhadores será realizada pelos órgãos competentes. A autarquia também manifestou solidariedade às pessoas afetadas pelo incidente.

O g1 também procurou o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) para saber se houve orientação às empresas do entorno sobre a liberação de funcionários após o incidente, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.

Vazamento de gás em Manaus bombeiros seguem resfriando tanques 14 horas após o incidente — Foto: William Duarte/Rede Amazônica

Vazamento de gás em Manaus bombeiros seguem resfriando tanques 14 horas após o incidente — Foto: William Duarte/Rede Amazônica

A chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes, explicou ao g1 que o estireno evapora com facilidade quando aquecido.

“Ele tem odor forte e adocicado. A exposição ao gás estireno pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de sintomas como dores de cabeça, tontura e fadiga. Em concentrações elevadas, pode levar a náuseas e problemas respiratórios. O recomendado é usar a máscara P2, também conhecida como N95”.

A Defesa Civil orienta que a população permaneça em locais abertos e bem ventilados, mantenha portas e janelas abertas para favorecer a circulação do ar e desligue aparelhos que captem ar do ambiente externo, como ar-condicionado e sistemas de ventilação.

A SES-AM recomenda que pessoas expostas ao produto procurem atendimento médico caso apresentem sintomas como irritação nos olhos ou na pele, tontura, dor de cabeça, náusea, sonolência, confusão mental, dificuldade para respirar ou perda de consciência.

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