
— A Lua que estamos vendo não é a mesma Lua que você vê da Terra — disse Koch ao comando da missão. — A Lua é realmente um corpo celeste com seu próprio propósito no Universo. Não é apenas um cartaz no céu que passa despercebido.
No ponto máximo de aproximação, a Orion chegou a 6,5 mil km de distância da superfície. Contrastes de luz e sombra nas crateras foram notados em suas nuances mais sensíveis. O “terminador”, limite entre as partes clara e escura da Lua, foi descrito como “visualmente fascinante” pelo piloto da missão, Victor Glover. Em um dos momentos mais emocionantes da jornada, Hansen pediu, em nome da tripulação, que uma das crateras observadas recebesse o nome de Carroll, em homenagem à mulher de Wiseman, que morreu de câncer em 2020.
O aguardado e temido blecaute de comunicações durante a passagem pelo lado oculto da Lua, anunciado pelo “pôr da Terra” no horizonte lunar, durou cerca de 40 minutos, sem sustos. Neste período, a tripulação conseguiu observar o impacto de meteoritos no solo, um fenômeno raro que rendeu alguns gritos de comemoração na Orion e no centro de comando de terra.
— [O fenômeno é] algo que não testemunhamos com frequência — disse a astronauta reserva da missão, Jenni Gibbons. — Eles eram uma prioridade científica muito alta para nós, então o fato de terem visto quatro ou cinco foi simplesmente extraordinário.
Em um presente de despedida, os quatro testemunharam um eclipse solar visto apenas para quem estava a bordo da Missão Artemis II. Era hora de aproveitar o impulso do nosso satélite natural de volta à Terra, na etapa considerada a mais arriscada da jornada.
A calmaria do espaço foi substituída pelo caos da reentrada, quando a cápsula que percorreu 1,1 milhão de quilômetros desde a semana passada foi envolta por uma bola de plasma, a uma temperatura no escudo térmico de 3.000ºC e voando 30 vezes mais rápido do que a velocidade do som. A bordo, ficaram sem comunicação por seis minutos, sem controle direto e sem banheiro, desativado cerca de três horas antes do pouso. Em novembro de 2022, a cápsula da Artemis I – um voo de teste não tripulado – sofreu uma perda inesperada de carbono no escudo térmico, mas os engenheiros garantiram ter encontrado as causas e sanado o problema para o voo seguinte.
De acordo com os planos atuais da Nasa, a Missão Artemis III, que também não pousará, tem lançamento previsto para 2027, enquanto a Artemis IV, que deve levar os primeiros astronautas à Lua desde 1972, tem como meta ganhar o espaço em 2028.
— Estamos voltando à Lua. E vamos ficar. Estamos construindo uma presença duradoura. Vamos dominar as habilidades necessárias na superfície lunar para que um dia possamos realizar missões a Marte. É um momento emocionante, incrivelmente empolgante. E não estamos fazendo isso sozinhos. Estamos levando todos conosco — disse Isaacman a jornalistas, a bordo do USS John P. Murtha.
Fonte: Globo.com









