Carnaval vira palanque informal de presidenciáveis e grupos políticos

Apesar dessa movimentação, o entorno do presidente ainda calcula os riscos dessa exposição do petista nos eventos de carnaval e se divide sobre os efeitos dela para a campanha.

Na quinta-feira, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou por unanimidade ações que buscavam barrar o desfile da Acadêmicos de Niterói, mas sinalizou que foram apresentados indícios de riscos de ilícitos eleitorais.

Há ainda um receio, como mostrou o GLOBO, de que o presidente fique exposto às críticas, sobretudo vaias.

Aliados dizem que qualquer deslize nesses eventos pode ser explorado pela oposição, com cortes e publicações nas redes. O principal alerta é a participação de autoridades no desfile da escola de samba.

Segundo relatos, alguns ministros e outros integrantes do governo que pretendiam desfilar com a escola de samba acabaram voltando atrás com receio de ficarem expostos às críticas em ano eleitoral. A ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) deverá acompanhar a festividade no camarote da Prefeitura do Rio, assim como o próprio Lula e demais autoridades.

Já a ida de Lula ao Galo da Madrugada, em Pernambuco, ocorre em meio à articulação de alianças estaduais, reforçando o uso político de um evento de massa tradicional.

Um aliado próximo de Lula afirma, sob reserva, considerar importante a participação dele em eventos com participação popular, mas avalia que a ida à Marquês de Sapucaí pode se transformar em fator de desgaste. Para esse interlocutor, o potencial de exposição negativa supera eventuais ganhos políticos imediatos, sobretudo diante do ambiente de polarização que deve marcar a pré-campanha.

O vice-presidente, Geraldo Alckmin, não tem agendas públicas previstas para o feriado. A tendência é que ele passe alguns dias em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo.

Do lado da oposição, a movimentação ocorre em ritmo mais fragmentado, mas igualmente orientado pela disputa presidencial. No Centro-Oeste, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), deve permanecer em Goiânia.

A programação organizada pelo governo estadual inclui contratação de shows e forte divulgação nas redes sociais sob o slogan de que a capital sediará “o carnaval mais seguro do Brasil”, narrativa alinhada ao principal eixo político do governador — a segurança pública.

Ao transformar a operação de policiamento e a comunicação institucional da festa em vitrine de gestão, Caiado antecipa, ainda de forma informal, a mensagem que pretende levar para a disputa presidencial de 2026, usando o período carnavalesco como demonstração prática de sua principal bandeira eleitoral.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), deve passar o feriado em Araxá, sua cidade natal, sem agendas públicas previstas.

No caso do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, está previsto uma viagem ao Rio para acompanhar os desfiles de escolas de samba na Marquês de Sapucaí —o governador esteve no local no ano passado também.

O governador do Paraná, Ratinho Jr., deverá viajar com a família para o exterior, mantendo distância de agendas públicas no período, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deve concentrar compromissos no Rio de Janeiro e encontros reservados com aliados políticos. Ele não divulgou uma agenda, mas deve realizar reuniões.

A estratégia, segundo interlocutores, busca equilibrar presença regional com discrição, evitando exposição excessiva antes da consolidação do cenário eleitoral no campo da direita.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deve permanecer em Brasília, com visitas programadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso no 19º Batalhão da PM do Distrito Federal, mais conhecido como Papudinha. O gesto é interpretado por aliados como sinal de manutenção do capital político do ex-mandatário.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve passar o feriado com a família na capital paulista, sem agendas públicas previstas, segundo aliados. A ausência de compromissos políticos visíveis é vista por interlocutores como tentativa de evitar antecipação de movimentos eleitorais em um momento ainda indefinido do tabuleiro presidencial.

Parlamentares também devem usar os eventos buscando maior visibilidade e acenando para suas bases eleitorais. No ano passado, por exemplo, as festividades ganharam outro peso, com deputados que disputavam a presidência da Câmara organizando viagens coletivas e agendas regionais para ampliar articulações políticas.

Neste ano, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deve passar o feriado em Macapá, seu reduto eleitoral, acompanhando desfiles tradicionais e mantendo contato direto com lideranças locais.

Já o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve viajar com a família, segundo relatos de aliados, sem a previsão de agendas públicas. Um interlocutor próximo de Motta diz que ele deverá intensificar as negociações políticas na volta do feriado, de olho na sua reeleição e na eleição de seu pai, o prefeito Nabor Wanderley, ao Senado.

No último final de semana, Motta participou de evento comemorativo em Patos, cidade governada pelo seu pai, movimento interpretado por aliados como parte da manutenção de vínculos políticos locais em meio ao início das articulações nacionais.

colaborou Fernanda Alves/ G1

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