Estudo mostra que recargas rápidas frequentes reduzem durabilidade das baterias de carros elétricos

O uso constante de carregadores ultrarrápidos pode acelerar a degradação das células de energia, aponta levantamento realizado com frotas em diversos países.

Embora a conveniência de carregar um carro elétrico em poucos minutos seja um dos grandes atrativos para os novos consumidores, um estudo recente acende um alerta sobre o impacto dessa prática a longo prazo. A análise indica que veículos que dependem exclusivamente ou predominantemente de recargas em corrente contínua (DC) de alta potência apresentam uma perda de capacidade de retenção de carga mais acentuada do que aqueles carregados de forma lenta em corrente alternada (AC), como em wallboxes residenciais.

A degradação ocorre devido ao calor gerado durante o processo de alta voltagem. Mesmo com os avançados sistemas de gestão térmica das baterias modernas, o “stress” químico causado pela entrada massiva de energia em curto espaço de tempo acaba por reduzir a vida útil dos componentes internos.

Segundo especialistas ouvidos pela coluna, a recomendação para maximizar a durabilidade da bateria é utilizar a recarga rápida apenas em viagens ou situações de emergência, mantendo o carregamento lento como a rotina principal. O estudo aponta que, após três anos de uso intenso de carregadores rápidos, a diferença na saúde da bateria (State of Health – SoH) pode chegar a 10% em comparação com veículos que seguem o protocolo de carregamento mais suave.

A indústria automobilística tem trabalhado em novas composições químicas para mitigar esse efeito, mas a física por trás do aquecimento das células permanece como o principal desafio para a eletrificação em larga escala. Para o proprietário, a dica de ouro continua sendo manter a carga entre 20% e 80% na maior parte do tempo, evitando os extremos de descarga total ou carga completa em carregadores de ultra potência.

Por: Folha de São Paulo 

Fonte