O primeiro turno das eleições de 2026 consolidou um cenário de contrastes para os clãs tradicionais e as novas forças que buscam espaço no poder. Com a definição da disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) para o segundo turno, o pleito também renovou as bancadas do Congresso e os governos estaduais, evidenciando o peso dos sobrenomes na política brasileira. Ao todo, mais de sessenta candidatos com laços familiares diretos testaram sua popularidade nas urnas este ano.
O resultado das urnas trouxe vitórias expressivas e derrotas simbólicas. Foram eleitos 3 governadores, 10 senadores, 2 suplentes de senador, 19 deputados federais e 9 deputados estaduais vinculados a essas famílias. Em contrapartida, outros 22 candidatos de linhagens conhecidas não lograram êxito em suas respectivas campanhas para cargos no Executivo ou Legislativo. O levantamento completo sobre o desempenho desses grupos pode ser consultado no portal de notícias g1.
Dinâmicas de poder entre clãs tradicionais e novas lideranças
A família do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou um desempenho robusto, com quatro de seus seis integrantes eleitos, incluindo Michelle Bolsonaro e Carlos Bolsonaro para o Senado. Já a família Sarney, no Maranhão, enfrentou um momento histórico: com a derrota de Roseana Sarney ao Senado, o grupo político deixa de ter um representante eleito pela primeira vez desde 1954.
No Pará, os Barbalho mantiveram sua influência, elegendo Helder Barbalho e Jader Filho para o Senado e a Câmara, respectivamente. Em Alagoas, a família Calheiros viveu um cenário misto, perdendo as disputas majoritárias para o governo e o Senado, embora tenha garantido uma cadeira na Assembleia Legislativa estadual com Remi Calheiros.
A ascensão de casais e o papel das cônjuges na política
Uma tendência marcante em 2026 foi a eleição conjunta de casais. Três governadores eleitos — JHC, Dr. Furlan e Sergio Moro — viram suas esposas, Marina JHC, Rayssa Furlan e Rosângela Moro, conquistarem cargos no Legislativo. O fenômeno também se repetiu entre senadores e deputados, consolidando a estratégia de fortalecer a presença familiar em diferentes esferas de poder.
Resultados variados em dinastias regionais
O clã Arraes, em Pernambuco, teve resultados distintos nas urnas. Enquanto Marília Arraes foi eleita para o Senado e Maria Arraes e Pedro Campos garantiram vagas na Câmara, João Campos não obteve sucesso na corrida pelo governo do estado. No Ceará, a família Gomes também registrou divisões, com a vitória de Cid Gomes ao Senado e a derrota de Ciro Gomes na disputa pelo Executivo estadual.
Outros nomes de peso, como o ex-presidente da Câmara Arthur Lira, celebraram vitórias pessoais e familiares, com a eleição do filho Alvinho Lira para a Câmara dos Deputados. Em contrapartida, o também ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha não conseguiu retornar ao parlamento, embora sua filha, Dani Cunha, tenha sido eleita para o cargo.










